as coisa pequenas
As vezes nao podemos esquecer-nos das coisas pequenas.
Por exemplo ,vai a gente a rua para as compras maiores e esquecemos os fosforos.Chegamos a casa ,queremos fazer o jantar e zas!..
Nada;sem os fosforos nao ha o jantar.
A loja fechada porque ja passa da hora de fecharem as lojas e la temos nos que ir jantar fora.
Raio de esquecimento -o jantar sai-nos por um balurdio!"
-Esta era a conversa da dona Guilhermina de cada vez que se encontravam no elevador.
E de cada vez que tinha que a ouvir e aos seus interminaveis exemplos,chegava a casa ainda mais estressada e enraivecida.
Ja nao lhe chegavam as cenas do patrao e das colegas;o trabalho extra que sempre a acompanhava e ainda tinha que ouvir aquela velha histerica sempre que chegava a casa.
--" So me apetece mata-la juro!-"
E dizendo isto sentia-se sempre melhor.
Este desabafo ,ouvia-o a vizinha do lado.
Solitaria e metedi?a adorava colar o ouvidinho lesto a parede para se deliciar com as novidades da casa ao lado.As vezes com um bocadinho de mais sorte la conseguia ouvir o que acontecia sempre que o namorado da sua vizinha fazia uma visitinha de paixao.Ah isso e que eram dias felizes!..
Os que nao tem, precisam da alegria dos que tem tudo -gostava da dizer.
E verdade que a velha dona Guilhermina era o diabo em pessoa.Adorava a imposi?ao das suas ideas e adorava ver a expressao da vizinhan?a que lhe caia na garra verbal e imparavel sem que pudessem defender-se .Sim porque efectivamente ninguem ali era capaz de a mandar calar.As pessoas tem muito medo da opiniao alheia e para se defenderem dela sao capazes de suportar as maiores prova?oes.
E a verdade e que toda a gente do predio odiava a velha surdamente.Portanto aquele desabafo ouvido na casa ao lado nem era novo ,nem era nada que ela propria nao dissesse de vez em quando.Mas ouvi-lo na boca de alguem que nao se sabia ouvido dava-lhe um prazer excepcional.
E na manha seguinte partilhou o que ouvira com a dona da padaria.A dona da padaria que era metida a escrita nas horas vagas gravava tudo o que ela lhe contava na esperanca de aquilo lhe servisse para a historia que um dia havia de publicar e os dias corriam assim
Por qualquer acidente ou desgra?a quis o destino que a dona Guilhermina falecesse um mes e tal depois .
Toda a gente no predio se juntou na casa da senhora para partilhar o desgosto da familia que sofrera tambem ela o desgaste da companhia e do mesmo terrorismo verbal.Todos menos a tal vizinha do apartamento do lado que se ausentara havia dias sem que niguem soubesse onde estaria.
Quando finalmente ela regressou a casa suspirou com alivio.
Que bom poder subir o elevador sem a historia dos foforos e a cara daquela velha horrorosa a envenenar-lhe o espirito!...
E sorrindo preparou-se para um banho regenerador.
O namorado olhava- deliciado.
-" Boa ;as ferias fizeram-te bem e um prazer voltar a ver-te de novo...
A vizinha do lado encostou ainda mais a orelha a parede.O que ouvia deixara-a tremula e ao mesmo tempo entusiasmada!
Que historia para contar la na padaria.
Afinal aquilo da dona Guilhermina nao tinha sido um acidente...Quem havia de dizer que aqueles dois eram capazes de tal proeza!...
No apartamento do lado o jovem casal come?ara a abrir o cofre.
La dentro,para alem de umas velhas cartas,possivelmente do tempo em que a dona Guilhermina ainda nao falava de fosforos ,estavam centenas de notas de 500.
Uma pequena fortuna acumulava-se no pequeno cofre que ela havia retirado da casa da velha senhora .
Depois de a ver cair com um ataque de cora?ao provocado pelo cha que lhe levara naquela tarde ,um dia antes de ir para ferias.
Olhando o namorado disse-
" Querido ,es mesmo um genio.Aquele veneno que arranjaste nao deixou mesmo nenhum vestigio.
Ela ja foi enterreada e ninguem deu por isso.Podemos finalmente pensar no destino que vamos dar ao dinheiro.
E pensar que afinal a velha era rica!
Se nao tivesse decidido cala-la de vez nunca tinha descoberto esta fortuna!
Na casa ao lado; de ouvido encostado a parede, a vizinha comecava a pensar que um chazinho de cidreira seria o ideal.Foi para a cozinha e de caminho telefonou para a amiga da padaria.
Que tinha uma historia fabulosa sobre a vizinha do lado disse-lhe e que havia de passar por la mais tarde.
Alguns dias depois foi a festa de casamento.
Ela e o namorado olhavam-se sorrindo no meio dos convidados.
Sorrindo ficaram na fotografia.
O dinheiro da dona Guilhermina tinha sido muito bem empregue.Para tras; ficara a vizinha.No chao proximo do corpo um chavena .
De facto aquele veneno que ele arranjara era muito eficaz.
Sorrindo ela disse-lhe:
"-Querido es um genio;ela nem sequer percebeu o que lhe aconteceu.Na verdade foi uma optima ideia alugares aquele apartamento.Assim demos fim as duas e em problemas.Sim porque nao sei como e que aquela idiota pode pensar que no nao sabiamos que ela escutava as nosss conversas,aqueles pareds sao tao finas.
Ele ha gente muito distraida.
E rindo encaminharam-se para a limousine que os iria levar ao aviao.
Dentro da limousine a dona da padaria aguardava a chegada dos dois pombinhos.Na mao o gravador com a historia contada pela sua amiga.
Com um sorriso maquiavelico, o chefe da policia disfar?ado de motorista aguardava tambem....
mariahenriques
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