Saturday | June 02, 2007

arvores sagradas

 

 

as folhas outrora frondosas

perderam-se

perdidas por entre sombras na fimbria da luz

la onde se escondem agora

os simbolos


todas as cores

todos os rumos

dores e frutos


das arvores sagradas assombrosos

ficaram os sonhos

a magia essa

esperamos por ela.

encantamento




MariaHenriques

 

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Imagens

 


 o escritor

o poeta

as letras o papel



a mao estende-se
perdida nos poemas e hesita

as comunidades as vezes sao crueis

e a mao perde-se pelo meio
rural dos demonios sorridentes
a solidao fria toca nos dedos


estranho soliloquio de medo.




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Thursday | August 03, 2006

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O PORCO VOADOR

naquela manha, as amigas chegaram mais cedo.risonhas, maos dadas entre si traziam pequenos e grandes cestos de vime coberto com panos imaculadamente brancos que perfumavam os ares.era o dia da tao esperada festa e a alegria nao podia ser maior.

palmira esperava-as na entrada da porta num misto de ansiedade e alegria.uma festa ,pensava.a minha primeira festa nesta casa.la dentro toda a familia cirandava numa excitaçao.gargalhadas misturadas com o barulho do bater dos ovos ,as ceramicas sendo preparadas para receber os alimentos,o murmurar dos mais velhos e os pulos dos mais pequenos ,tudo se misturava numa promesse de encantos e promessas.que dia feliz ia ser aquele.com o marido sempre ausente no pastoreio a vida dela era pesada e triste.que bem lhe is saber a aventura.

quando elas entraram mostraram que dentro de um dos cestos haviam trazido o maior porco que ela jamias havia visto e olhando boquiaberta para o bicho que grunhia (talvez assustado com o burburinho e  alguma noçao de uma morte proxima) sentiu-se um pouco assustada.ela nao seria capaz de matar o animal.parecia imenso e perigoso. olhando para a janela viu um homem que se aproximava da casa e decidiu que talvez ele pudesse ajudar com o porco .assim chamou-o .o homem era solicito e mediante a promessa de umas broas aceitou a incumbencia.

de facalhao na mao e rosto duro atirou-se ao bicho que grunhindo desatou a correr a volta da fonte.aquilo ia ser uma canseire ,pensou ela.esperemos que ele consiga acabar o trabalho e voltando costas foi preparar os bolos.por essa razao nao viu acontecer o milagre.bom ,nao sei se poderia chamar milagre aquele evento,mas a verdade e que ao porco lhe nasceram umas asas e elevando-se no ceu a grande velocidade despareceu para nao mais se ver.toda a aldeia bradou aos ceus que nunca tal se havia visto e a festa ,muito embora nao fosse tao abundante (o voo daquele porco tinha reduzido as vitualhas ) foi um verdadeiro sucesso.

 

quando perguntou quem havia visto o porco a voar ninguem soube dizer-lhe ao certo,parecia que algumas vizinhas que haviam ido buscar agua ou talvez tivesse sido a avo julia,nao se sabia bem.mas a verdade e que voara com as duas asas nascidas sabia-se la de onde.na manha seguinte ao encontrar uma das vizinhas soube entao que havia sido o tal homem a quem contratara para matar a bicheza quem havia dado a noticia do voo milagroso e lembrou-se entao de que nunca mais o vira .nem sequer havia chegado a dar-lhe as tais broas que haviam combinado.mas nao teve tempo para pensar mais no assunto .as vizinhas e as amigas nao a deixavam com cumprimentos e palmadinhas nas costa ,rija festa havia sido aquela e nao se cansavam de falar do porco e de como ele havia voado.

 

la longe, muito longe ja da povoaçao,o marido dela estava sentado tocando a sua flauta.caminhando com passo lento viu um homem que levava um porco agarrado com uma corda.grande animal era aquele que nunca na vida tinha visto um porco assim.acenou ao homem que lhe retribui e perguntou-lhe se queria vender-lhe o bicho.fizeram negocio e o pastor,contente com a aquisiçao regressou a casa.cansado nao prendeu o bicho e quando acordou na manha seguinte nao o encontrou.chorando a sua estupidez desceu a aldeia para beber um copo e foi entao que lhe falaram no porco que havia voado para salvar a vida.esperto percebeu logo o que havia acontecido mas calou-se e decidiu que se voltasse a encontrar aquele demonio que lho havia vendido se vingaria.nao teve que esperar muitos dias.passado algum tempo encontrou de novo o homem ,que de novo levava o porco pela mao e percebeu que afinal o animal nunca havia fugido da sua casa.zangado atirou-se ao homem ,mas escorregou .caiu no chao batendo com a cabeça numa pedra e desmaiou.acordou no meio de uma algazarra enorme ,mulheres gritavam batendo com as maos no peito.o porco voltou ,gritavam,o porco voltou e levou a nossa palmira.

choraram a jovem ,o marido chorou-a tambem ( que mulher como ela era dificil de encontrar ) mas depois esqueceram .o marido afinal encontrou uma mulher ainda mais jovem e ainda melhor e a aldeia voltou a sua rotina.

de vez em quando falava-se do porco e de como havia voado levando um home e uma mulher com ele ,acendiam velas e iam de novo a vida.

longe ,muito longe da povoaçao a palmira sorria de cada vez que se lembrava do dia em que com um porcoa ajudar havia conseguido escapar ao marido.e sorrindo abraçou o companheiro que de rosto embevecido e beijando-a lhe disse-"ja visto o danado do porco?aquele bicho nao para de engordar.nao fora por lhe devermos a escapadela do teu marido ainda um dia haveriamos de o comer..."

 

 

 

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as coisa pequenas

As vezes nao podemos esquecer-nos das coisas pequenas.
Por exemplo ,vai a gente a rua para as compras maiores e esquecemos os fosforos.Chegamos a casa ,queremos fazer o jantar e zas!..
Nada;sem os fosforos nao ha o jantar.
A loja fechada porque ja passa da hora de fecharem as lojas e la temos nos que ir jantar fora.
Raio de esquecimento -o jantar sai-nos por um balurdio!"

-Esta era a conversa da dona Guilhermina de cada vez que se encontravam no elevador.
E de cada vez que tinha que a ouvir e aos seus interminaveis exemplos,chegava a casa ainda mais estressada e enraivecida.
Ja nao lhe chegavam as cenas do patrao e das colegas;o trabalho extra que sempre a acompanhava e ainda tinha que ouvir aquela velha histerica sempre que chegava a casa.

--" So me apetece mata-la juro!-"
E dizendo isto sentia-se sempre melhor.

Este desabafo ,ouvia-o a vizinha do lado.
Solitaria e metedi?a adorava colar o ouvidinho lesto a parede para se deliciar com as novidades da casa ao lado.As vezes com um bocadinho de mais sorte la conseguia ouvir o que acontecia sempre que o namorado da sua vizinha fazia uma visitinha de paixao.Ah isso e que eram dias felizes!..
Os que nao tem, precisam da alegria dos que tem tudo -gostava da dizer.

E verdade que a velha dona Guilhermina era o diabo em pessoa.Adorava a imposi?ao das suas ideas e adorava ver a expressao da vizinhan?a que lhe caia na garra verbal e imparavel sem que pudessem defender-se .Sim porque efectivamente ninguem ali era capaz de a mandar calar.As pessoas tem muito medo da opiniao alheia e para se defenderem dela sao capazes de suportar as maiores prova?oes.
E a verdade e que toda a gente do predio odiava a velha surdamente.Portanto aquele desabafo ouvido na casa ao lado nem era novo ,nem era nada que ela propria nao dissesse de vez em quando.Mas ouvi-lo na boca de alguem que nao se sabia ouvido dava-lhe um prazer excepcional.

E na manha seguinte partilhou o que ouvira com a dona da padaria.A dona da padaria que era metida a escrita nas horas vagas gravava tudo o que ela lhe contava na esperanca de aquilo lhe servisse para a historia que um dia havia de publicar e os dias corriam assim

Por qualquer acidente ou desgra?a quis o destino que a dona Guilhermina falecesse um mes e tal depois .
Toda a gente no predio se juntou na casa da senhora para partilhar o desgosto da familia que sofrera tambem ela o desgaste da companhia e do mesmo terrorismo verbal.Todos menos a tal vizinha do apartamento do lado que se ausentara havia dias sem que niguem soubesse onde estaria.

Quando finalmente ela regressou a casa suspirou com alivio.
Que bom poder subir o elevador sem a historia dos foforos e a cara daquela velha horrorosa a envenenar-lhe o espirito!...
E sorrindo preparou-se para um banho regenerador.
O namorado olhava- deliciado.
-" Boa ;as ferias fizeram-te bem e um prazer voltar a ver-te de novo...

A vizinha do lado encostou ainda mais a orelha a parede.O que ouvia deixara-a tremula e ao mesmo tempo entusiasmada!
Que historia para contar la na padaria.
Afinal aquilo da dona Guilhermina nao tinha sido um acidente...Quem havia de dizer que aqueles dois eram capazes de tal proeza!...


No apartamento do lado o jovem casal come?ara a abrir o cofre.
La dentro,para alem de umas velhas cartas,possivelmente do tempo em que a dona Guilhermina ainda nao falava de fosforos ,estavam centenas de notas de 500.
Uma pequena fortuna acumulava-se no pequeno cofre que ela havia retirado da casa da velha senhora .
Depois de a ver cair com um ataque de cora?ao provocado pelo cha que lhe levara naquela tarde ,um dia antes de ir para ferias.

Olhando o namorado disse-

" Querido ,es mesmo um genio.Aquele veneno que arranjaste nao deixou mesmo nenhum vestigio.
Ela ja foi enterreada e ninguem deu por isso.Podemos finalmente pensar no destino que vamos dar ao dinheiro.
E pensar que afinal a velha era rica!
Se nao tivesse decidido cala-la de vez nunca tinha descoberto esta fortuna!

Na casa ao lado; de ouvido encostado a parede, a vizinha comecava a pensar que um chazinho de cidreira seria o ideal.Foi para a cozinha e de caminho telefonou para a amiga da padaria.
Que tinha uma historia fabulosa sobre a vizinha do lado disse-lhe e que havia de passar por la mais tarde.

Alguns dias depois foi a festa de casamento.
Ela e o namorado olhavam-se sorrindo no meio dos convidados.
Sorrindo ficaram na fotografia.
O dinheiro da dona Guilhermina tinha sido muito bem empregue.Para tras; ficara a vizinha.No chao proximo do corpo um chavena .
De facto aquele veneno que ele arranjara era muito eficaz.
Sorrindo ela disse-lhe:
"-Querido es um genio;ela nem sequer percebeu o que lhe aconteceu.Na verdade foi uma optima ideia alugares aquele apartamento.Assim demos fim as duas e em problemas.Sim porque nao sei como e que aquela idiota pode pensar que no nao sabiamos que ela escutava as nosss conversas,aqueles pareds sao tao finas.
Ele ha gente muito distraida.
E rindo encaminharam-se para a limousine que os iria levar ao aviao.

Dentro da limousine a dona da padaria aguardava a chegada dos dois pombinhos.Na mao o gravador com a historia contada pela sua amiga.

Com um sorriso maquiavelico, o chefe da policia disfar?ado de motorista aguardava tambem....



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UMA QUESTAO de SOBREVIVENCIA

( para o mario henrique-leiria )




As visitas demoravam mais do que ela esperava.
Sentada na salinha exigua via desesperada todas as virtualhas desaparecem rapidamente.
Todas as poupancas dos ultimos meses desvaneciam-se por entre as goelas de gente que nao conhecia.
Que faria quando aquele pesadelo terminasse?
Que iria acontecer-lhe quando finalmente o paizinho fosse a enterrar naquele cemiterio de aldeia perdido no meio do vale?...

Era como um mau sonho tudo aquilo.Pensar que poderia ter ficado em lisboa;naquela casa daquela senhora tao boa.Com um ordenado fixo e tao pouco trabalho ,que lhe teria dado para abandonar tao boas condicoes e vir tratar do paizinho....


Sim ;devia ter enlouquecido sem dar por isso.E agora que faria ali perdida no meio daquela gente ,naquela aldeia pequenina onde nem havia trabalho para os jovens quanto mais para uma mulher de meia idade e para mais feia ,como ela.
Sem dar por isso suspirou longamente.Um dos homens -talvez o marido de alguma das mulheres sentadas a mesa,--aproximou-se com um sorriso compreensivo e disse-lhe:
--" Compreendo o que sente cara senhora,pois tambem eu perdi minha maezinha ha pouco tempo;fica um dor tao grande nao e?
Mas deixe nao se apoquente;esta entre amigos ,vai ver que nao se sentira desamparada na sua dor.Nos tratamos bem dos que nos pertencem.Agora vamos la ,coma qualquer coisa,para se sentir melhor.E estendendo-lhe um sandes do presunto que lhe havia custado os olhos da cara sentou-se ao lado dela com um olhar muito atento.

Aquilo foi o comeco da amizade entre os dois.O tal homem que afinal nao era casado habitava uma pequena mas bonita casita perto da dela .
Tinha sido a maezinha a deixar-lha depois de partir.Deixara a casa e mais algum dinheirito;que ela,a maezinha havia sido muito poupada toda a santa vida.

Entre conversaa na casa dela e dele a amizade foi passando a algo de mais intimo e toda a aldeia olhava com sorrisinhos simpaticos o que tomavam por uma jovem historia de amor.
Que fazia falta ver gente mais nova a recomecar a vida,que a aldeia precisava de sangue novo e que eles faziam um bonito par.

Casaram-se claro.Na igreja perdida no tal vale onde o paizinho e a maezinha habitavam depois de haverem partido.
O dia do casamento trouxera todos a luz do dia e o padre ;um homenzinho redondo de riso aberto nao podia estar mais contente.
Senhores:-dizia a alto e bom som--Que a que tempos que nao tinha a gente o prazer de uma festa de casorio hem?
Tem sido so enterros senhores;uma infelicidade.
E agora vamos a ver se ha festa de baptizado ahaha!...Proximamente; para se comerem uns bolinhos doces..

A festa fora rija,
Bailarico ,comida com fartura que o dinheiro dele podia pagar aquilo tudo e rendas e sedas que a maezinha tinha comprado,bordado e cosido ao longo da sua vida.
Tinham agora todas as razoes para serem felizes.Duas bonitas casas --a do paizinho e a da maezinha-- e como eram casados uma pensaosita para ela que fazia cescer um dinheirito mais gordo.
Tudo fazia prever uma grande felicidade.

Com o passar dos dias ela comecou a estranhar que o seu Almiro--era o nome dele--nunca se sentasse a mesa para as refeicoes.Ao principio ,talvez por causa dos ardores dos primeiros dias nao estranhara.Os horarios la em casa tinham andado meio fora de tempo.
Mas agora achava muito estranho nunca o ver comer uma refeicao .Almocava e jantava sempre so e quando lhe perguntava se ja havia comido ele respondia sempre que sim muito embora toda a comida que lhe cabia ficasse intacta.
Ele no entanto parecia nao perder nem o peso,nem o soriso feliz e ela conformou-se.

Passados uns dias encontrou o padre.
O padre estava preocupado .Durante uns anos tinha havido muito desaparecimento de ovelhas e cabras ali na aldea e toda a gente se atirara a ca?a dos lobos que se haviam visto nas imedia?oes.Toda a gente acreditava serem eles os culpados por todas aqueles desaparecimentos e rapidamente havia sido dada a morte a todos.E parecia ter aquela ca?ada ter dado resultado porque os animais tinham voltado a abundar e sem qualquer cuidaodo de maior para os seus donos.

Mas havia uns dias que mais ovelhas haviam sido encontradas mortas e ninguem sabia explicar a razao.Ja nao havia por ali qualquer animal que pudesse comer os animais;era uma coisa realmente muito estranha-Nao teria ela visto nada que pudesse ajudar?--

Ela respondeu que nao;o que era verdade e foi cada um para o seu caminho.
A noite ela contou a historia ao marido que encolhendo os ombros respondeu que nao era nada com eles.Porque nos nem temos animais --disse.

Os dias foram passando e as historias de animais mortos continuaram.
Ate ao dia em que o padre foi encontado morto no jardim da igreja.Tinha uma forquilha na maos e via-se que havia dado luta antes de morrer.Havia sangue por todo o lado.

A populacao estava aterrorizada.Que coisa seria aquela que ja nem poupava gente?...

Nesse dia ele o marido chegou a casa bem disposto e sorridente;e nem sequer sequer depois de ouvir a terrivel historia ele perdeu o sorriso.
Com os olhos brilhantes olhou-a e disse com carinhoso-
"-Olha la querida ;hoje faz um mes que nos casamos e so tens historias tristes para contar?
Esta bem ,coitado do padre ,morreu e pena ,mas isso acontece a toda a gente,nao e?
Um destes dias tambem nos iremos morrer e nada se pode fazer;mas hoje estamos vivinhos e o que vamos e fazer uma festa so para nos.
Que dizes amorzinho;comprei uns belos bifinhos la na cidade e quem vai fazer o jantar sou eu.
Sim porque estas sempre a queixar-te que nunca comemos juntos .Hoje vamos jantar os dois!

Ela ,embevecida esqueceu tudo.
O jantar estava delicioso e ele uma excelente companhia.
Afinal tinha feito muito bem em tomar conta do paizinho;tinha-lhe dado sorte porque um marido daqueles era melhor que a sorte grande.

Os dias foram passando e um novo padre chegara a aldeia.Muitos dos vizinhos haviam decidido pedir-lhe uma missa extraordinaria em memoria do que havia falecido e assim todos se reuniram na igreja.Todos menos o marido dela que fora a cidade em viagem de negocios.Que tinha que assinar umas coisa que haviam ficado da maezinha e que nao voltaria a tempo da tal missa.

Quando ela regressou a casa ele ainda nao regressara.
Cansada deitou-se e adormeceu quase imediatamente.

Acordou-a um barulho repetido embora suave.
Desceu as escadas ensonada e reparou que o barulho vinha da cave.
Aproximando-se ,viu uma tremula luz.
Ao fundo estava o marido com uma serra na mao.
Quando lhe perguntou o que fazia aquela hora da noite ele sorriu dizendo-

" Querida;estou a preparar os bifes para o almo?o;vai-te deitar que eu nao demoro nada."

Foi muito tempo depois de ter morrido toda a gente da aldea que ela reparou de onde vinham os bifes que ele lhe cozinhava.Mas por essa altura ja o habito de um bom bife em sangue tomara conta dela.
E quando ele lhe disse que vendera as duas casas,nao se importou.
Ele sabia o que fazia e ali ja nao se podia viver.
A aldea estava deserta.

Foi por essa altura que passram a habitar noutro sitio.
Uma aldeia muito maior ,proxima de um aldeamento turistico.

Os bifes ,esses passaram a ser ainda maia abundantes e suculentos.
Quanto aos vizinhos nada fazia prever que desaparecessem .O aldeamento turistico estava sempre muito povoado.Ah ,a proposito;a tal festa de nascimento estava para breve.Sim brevemente haveria sangue novo la na nova aldeia.

E eles podiam esperar viver felizes para sempre.




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INDECISOES

-"Bom eu tenho estado tao aborrecida com o Francisco ultimamente; nao podes imaginar o que eu sofro nas maos daquele homem. Ontem , por exemplo. Eu queria ter ido a tua casa, apetecia-me mesmo ter alguem ( sem ser aquele camelo ) por perto ,ter-me-ia sabido tao bem a tua companhia .E se assim tivesse sido , nunca haveria problema porque eu nunca chego tarde a eu teria regressado bem  cedo para nao o provocar- sabes como ele ferve em pouca agua- mas os homens sao burros com pernas e este e um dos piores . Ontem tirou-me completamente do serio. Imagina que quase me ia batendo porque eu nao quis matar o galo que a minha mae ofereceu. Aquele galo magnifico ,graças ao qual as minhas galinhas dao os melhores ovos, inveja de toda a vizinhança. Ameaçou-me com o divorcio,andou a bater com as portas durante horas partiu montes de coisas ( somente as que me haviam ofercido,e claro ) e como se nao bastasse atirou-me com o jarro da agua que so nao me acertou por milagre.

Tudo por cause dos amigos dele que vem ca jantar no domingo. Queria que eu fizesse um prato frances que ele viu num programa de culinaria , qualquer coisa chamada "cock au vin" que eu nem pronunciar , quanto mais fazer. Um prato frances!...Porque nao a velha e querida comida tradicional americana? Sim porque nos somos americanos vivemos na america, nao vivemos la nas franças por muita televisao que ele veja.  Que bom que tenhas telefonao amiga.

Sim seu sei que posso contar contigo para tudo. Sim .claro que seria uma boa ideia,mas tu deves andar atarefada com a chegada dos teus pais e eu nao quero acrescentar-te preocupaçoes...E de qualquer modo nao posso abandonar a casa neste momento. O meu estupido marido esta ali estendidi no chao e tenho que ir limpar a porcaria que ele fez. So para me chatear e claro. O que? O que e que aconteceu ao meu marido?...Ah nao te disse...Pois claro , com isto tudo esqueci-me , que aborrecimento. Pois nao sei muito bem,com aquela gritaria toda , o bater de portas e os objectos atirados a minha pessoa , acho que me irritei. Atirei-lhe tambem com o pisa papeis de cristal. Sim aquele que o meu paizinho ofereceu no dia de aniversarios dele, lembra-te? Pois e ,e ele caiu das escadas...

Agora esta ali caido,nem se mexe nem nada. Se ha sangue ? Ha montes de sangue,pois!  Que agora sou eu que tenho que limpar,sou sempre eu para tudo nesta casa,nao tenho a ajuda de ninguem. Sim querida , tens razao, um medico se calhar dava-lhe jeito ,esta ali estendido vai para mais de 36 horas.Mas por outro lado limpar aquele sangue todo nao deve ser brincadeira  nenhuma e eu ando com tantas dores nas costas...Uma empregada dava-me muito jeito neste triste momento; achas que devo chamar o medico,ou telefono antes para uma agencia de empregadas domesticas?...."


 

 

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Wednesday | August 02, 2006

COISAS E VIDAS

EXISTE ALGUMA COISA VOANDO NO AR-- ( ela disse ) MAS TENHO A CERTEZA DE QUE NAO E AMOR E A MENOS QUE A MAE NATUREZA SE TENHA MODIICADO MUITO ULTIMAMENTE ,TUDO O QUE SINTO NO AR SOA RAJADAS DE ODIO E MEDO-tavez seja essa a sua maneira de nos mostrar o tal amor que sempre esperamos apesar de todas as nossa horriveis tropelias-ESTE IRA TRANFORMAR-SE NUM DAQUELES DIAS NEGROS COM VENTO A 300 A HORA E FICAREMOS A MERCE DE TUDO ISSO-- (  ela disse ,mostrando os dentes de hiena num vago sorriso  cheio de hostilidade )Ventos a mais de 300 a hora
...E sim , vi a tua cara . Mostravas desgosto e nesse momento achei que te assemelhavas a uma estatua.Tons de cinzento e rosa velho a espalhar sombras em po cobrindo o corpo.

ELA VOLTOU AOS QUEIXUMES COM QUE OUSAVA DISFARÇAR A ALMA DE VELHA BRUXA.LAMENTOS PARA HUMANIZAR,UM DOS MAIS VELHOS TRUQUES DO MUNDO

 

ESTOU NESTE EMPREGO VAI PARA MAIS DE QUINZE ANOS E O MEU PATRAO NUNCA ME AGRADECEU O QUE TENHO FEITO POR ELE.HOJE ,POR EXEMPLO SERIA UMA BOA ALTURA PARA ME COMPENSAR DE TODO O ESFORÇO ,DE TODA A ENTREGA PARA FAZER DELE UM HOMEM MAIS AFORTUNADO,COM MENOS TEMPO PARA TRABALHO E MAIS PARA A FAMILIA.HOJE E O DIA DO ANIVERSARIO .O DIA QUE DEVERIA TER CELEBRADO A MINHA ENTRADA PARA A EMPRESA E ELE NEM SEQUER OLHOU PARA MIM,NEM UM OLHAR PARA O MEU VESTIDO NONO ,NEM SEQUER UMA PEQUENA MENÇAO DE QUE SE LEMBRA DESSE DIA.COMO UM DAQUELES MARIDOS A QUEM O TEMPO TIRA TODO O ENCANTO E HOJE ,COMO SE TUDO ISTO NAO BASTASSE NEM SEQUER PUDEMOS TRABLHAR COM OS COMPUTADORES .A LUZ FALTOU POR CAUSA DA TEMPESTADE - JA ME VISTE ISTO.E ELE SEMPRE A DAR ORDENS ,SEMPRE A SENTIR-SE O DONO DO MUNDO...

PENSEI QUE TERIA DE DAR-LHE UMA LIÇAO.

 BASICAMENTE TUDO O QUE EU DESEJAVA ERA QUE ELE NUNCA MAIS ESQUECESSE.QUE NUNCA MAIS SE ESQUECESSE DE MIM COMPREENDES.

PORQUE  MINHA VIDA E SOLIDAO E APENAS SOLIDAO.O MEU MARIDO,A UNICA COISA DE QUE REALMENTE GOSTA E DA CAÇA-QUE DIABO AQUELE HOMEM NAO FAZ MESMO MAIS NADA SENAO PLANEAR A CAÇADA ,PARTIR E VOLTAR DA CAÇADA E PLANEAR A PROXIMA- SENDO QUE  PROXIMA E SEMPRE A DO DIA SEGUINTE...

 

...A cabeça dela abanava ,um catavento de rancores e desapontamentos engolidos desde ha tanto que nem se lembrava de todos esses dias.Nao havia esperança,nem sorrisos doces que ela tivesse querido guardar.Tudo se perdia no negro e tudo era vazio...

 AH SIM,NAO TENHO OUTRAS MEMORIAS DELE ,NENHUM CARINHO,NENHUMA CELEBRAÇAO.NENHUM TEMPO DE AMORES QUE QUEIRA RECORDAR.SO ELE A CERVEJA ,OS MALDITOS AMIGOS DELE E AS A MALDITA CAÇA AO CERVO E AGORA APESAR DE TANTO TER DADO A ESTE MEU PATRAO RECEBO O MESMO TRATAMENTO.

PORQUE E SO COMIGO,SABES. SO A MIM E QUE ISTO ME ACONTECE.NA OUTRA SEMANA UMA DAS MINHAS COLEGAS RECEBEU UM AUMENTO E UMA FESTA COM DIREITO A BOLO E TUDO. MAS A MIM...

AGORA COM ISTO DO NATAL AINDA E PIOR PORQUE O MEU TRABALHO AUMENTA .AUMENTA NO ESCRITORIAO ,EM CASA...TENHO QUE SER EU A COZINHAR E A TRATAR DAS DECORAÇOES ,DA ARVORE.SO EU PORQUE ELA A MINHA FILHA NAO FAZ NADA A NAO SER DORMIR COM OM NAMORADO .

HOJE VOU TER QUE LAVAR A CASA TODA,RETIRAR TODAS AS DECORAÇOES DAS CAIXAS.E DEPOIS AS PINTURAS DA GARAGEM A COZINHA ,OS DOCES  E TUDO O QUE AINDA ME ESPERA LA NO ESCRITORIO....E ELE SEM UMA PEQUENA PALAVRA DE APOIO.SIM,VOU FAZER-LHE UMA SURPRESA VAIS VER.AUMENTAR ASSIM AQUELA DESCARADA.

 (...Hoje nevou.Adoro a luz branca que a neve deixa a nossa volta,tudo purificado pela fria imagem da beleza.Os tons cinzentos das nuvens a misturar-se com pequenos pedacinhos de ceu ainda azul e pequenos raios de sol tentando espreitar por dentro daquele frio todo...)
ela mao parou de descrever a sua infelecidade ,os odios ao patrao e ao marido ,a filha ao natal e a culinaria.enquanto isso eu olhando para o livro que havia comprado ,desliguei o computador com um frio "fim de mensagem"

Soube depois que havia assassinado o patrao durante  a festa de ano Novo.La no escritorio onde trabalhava ,ninguem entendeu o que se passou.O patrao tinha sido sempre tao bom com ela.Tinha enviado um magnifico ramo de rosas para a casa dela no dia do aniversario da entrada para o escritorio .Dentro do ramo um cheque altissimo e uma licença de ferias com tudo pago.Ao que parece ela nunca chegou a receber o tal ramo,chegara no dia em que saiu para o matar.Ele ha coisas.

 

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as memorias corrosivas

 

 

 

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e agora estamos nos

sos

tu e eu e as memorias corrosivas

 

lembras-te?

a extraordinaria farsa

daquele conto de fadas

que nao foi senao

a camara dos horrores

que tu

quiseste esconder

por detras das lagrimas de crocodilo

hipocrita

( antes fosses o hipopotamo da anedota)

tu o que se disfarçou

de contador de historias

quando afinal nem servias para contar o gas

aqui estamos tu e eu

no final da memoria

a cozer no fogo o calor azedo

das memorias.

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PROCURA

ALMAS PROCURAM-SE,
LIMPIDAS.
PORTAS PARA UMA LUZ DIFERENTE
ONDE GAIVOTAS SE ENCONTREM COM OS CEUS ,
SETAS VOADORAS ENCONTRANDO O ALVO.
ONDE PEIXES VOEM POR CIMA DO ARCO IRIS
ALMAS NUVENS OU
PASSAROS VIAJANTES.
SEM MEDO DOS ATIRADORES FURTIVOS
QUE SE ESCONDEM NAS CORES.
ALMAS PROCURAM-SE
PARA ABRIR OS SEGREDOS
PARA SORRIR E BRINCAR NA VASTIDAO DAS MEMORIAS
VIAJANDO NA ESCURIDAO.
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